sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Dinheiro Posto Fora

Nosso tempo vem sendo espremido pelo turbilhão de informações que não cessam, a medida que nos transforma em seres que seguem dezenas de processos, demandados pelo sistema consumista do qual fazemos parte. É fato, o consumismo vem nos consumindo. Exigindo uma série de ritos que ,além de nos escravizar em uma série infindável de etapas, nos ilude inflando nossos egos por sermos os melhores avaliadores de algo banal como uma secadora de pratos, um suporte de lâmpadas, um novelo de lã, uma panela de pressão. Com a ajuda da tecnologia, ampliamos nossa capacidade de perceber o despercebido no passado, se a gaveta era de mdf, madeira, 2 mm, 10 cm alt, com capacidade para 3 kg, se precisaria ou não de uma garantia estendida, a gente nem precisava saber de tudo isso! Somos um vendedor que vive no balcão à espera de mais um pedido. Que fará com que saiamos enlouquecidos pela loja repleta de prateleiras e produtos, tentando atender nosso pedido e realizar nosso sonho consumista. Me sinto uma especialista de quinquilharias que, daqui há um ano, é possível que nem funcionem, porque, a bem da verdade, é que essa especialidade também tem prazo de validade. É como correr uma maratona e, quando você chega na faixa de chegada, alguém vai lá e recoloca-a a 10 km de você, obrigando a busca do inatingível: a perfeição do custo benefício. Não é de se admirar que estejamos esgotados "sem ter feito nada"! O corpo parado frente à tela, nos ilude, enquanto isso o cérebro faz a consulta no Google para mais um item. A primeira frase da busca: "quais são melhores...", e lá vem uma lista de 10 itens. Cada um com uma indicação e mais um link com mais uns três links de 3 lojas para você comparar os preços. Depois de selecionar o the Best, você pode querer buscar um de valor melhor e se lança ao mundo das plataformas de vendas que, além de mostrar de 20 a 30 opções que te obrigam à próxima fase de detetive paranoico: olhar as avaliações. Mas, com o tempo, você já aprendeu a avaliar as avaliações, ou seja, você já percebe o que é fake, o que é do próprio vendedor e a quantidade necessária para considerar aquele produto bem avaliado. Calma, ser bem avaliado é ter um número de avaliações que te convençam de que o produto foi realmente avaliado por compradores. Se o produto atendeu a esses quesitos, agora é hora daquele momento fulgurante: analisar as avaliações para avaliar se você vai comprar um dos produtos daquela lista dos top 10 que você ainda não escolheu se realmente quer. Quando você clica nas estrelinhas, tudo que você quer é muito mais que testemunhos, você quer mais, quer ver imagens, mas o ápice será encontrar um vídeo do produto. Mas não parou aí; se possível, um vídeo do produto funcionando ou sendo mostrando em todos os ângulos, mesmo que o vendedor tenha feito isso na sua propaganda. Infelizmente, achei que ia finalizar esse cansativo processo aqui, mas não. Nosso vendedor, que se perdeu no fundo da loja esmiuçando detalhes e mais detalhes do produto até nos entregar no balcão, ainda não escolheu o melhor. Ele desconfiou que, apesar das 54 avaliações positivas do produto, uma avaliação pontuou com uma estrelinha e fez o seguinte comentário: dinheiro posto fora.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Eles ficaram

Ele é um trabalhador deslocado da enchente. Me relata que lá não poderia mais viver, pois tudo que tinham foi perdido. Com a esposa e seus filhos, buscaram uma nova morada na periferia de Porto Alegre. Ele me diz que agora se sentem mais seguros: “para a ilha só retorno para trabalhar”. Você ainda trabalha lá? Sim, eu trabalho nas mansões da ilha. Mas lá eles não foram atingidos? Sim, foram atingidos, mas quando algo acontece assim, eles chamam uma equipe de 20 a 30 pessoas e limpam tudo do dia para noite. Mas a enchente não os afeta pelo fato de não poderem adentrar seus espaços? Não, eles constroem tudo mais alto, nessa enchente, na casa do meu patrão, só entrou 40 centímetros, eles não vivem lá, então para eles nada afeta tanto assim. Olho para ele em silêncio, e ele também silencia. Dou um leve sorriso, concluindo dentro de mim algo, e lhe pergunto. Você percebeu o que aconteceu? Sim, a gente não teve como ficar, e ainda agradeço por ainda ter trabalho na ilha…quem pode fica. E finalizei dizendo É.. mas eles ficaram. Sim, a gente não teve como ficar, e Imagem: Enchente maio 2024 RS , registro Defesa Civil RS.

A gente quer tudo?

Deve ser a idade, mas parece que o mundo real está tentando recriar eventos aos moldes da virtualidade. Me deparo com eventos artísticos que me intrigam, ainda mais agora que procuro conciliar uma microfonia no ouvido direito e os sons que se misturam. É mais ou menos assim: piano nas notas mais altas, latidos de cachorros, crianças falando ao fundo e cantoras soprano são sons que se sobressaem para mim.. Tudo se mistura, assim como este assunto, mas no fundo, é sobre isso mesmo que eu quero falar. Sobre os excessos… Excessos de sons do meu ouvido, da virtualidade e de alguns eventos, chamados cult, performáticos, interativos, colaborativos… Sobre estes últimos, eu penso… É cansativo…esse jeito pra mim é over na hora do lazer, da cultura, da música, da pintura, são muitos estímulos ativados: visuais, sonoros, gustativos, olfativos… e parece que é bom ser desse jeito, que isso que é bom. Será? Cláudia, tu tá ranzinza… quem é tu pra falar disso, cara pálida geminiana multifuncionalidade? Sim, eu não sou perfeita, ouso fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo. Recentemente, cometi o absurdo de ler no Kindle ao mesmo tempo que fazia crochê, me senti vitoriosa com a minha capacidade, ou seria pura voracidade? Quando penso neste assunto, sempre me lembro de um voo que fiz de Lisboa ao Brasil, em 2014. Eu viajei ao lado de um japonês mega agitado que, antes de o avião decolar, já mastigava um sanduíche trazido dentro da bolsa. Entre uma abocanhada nervosa e outra, ele armava um acampamento à sua volta. Primeiro ele abriu o laptop, depois ligou a TV, colocou os fones de ouvido gigante, e futricava no celular, não satisfeito, ele conseguia se esgueirar pro meu lado, curioso nos filmes a que eu assistia na minha TV. Que agitação! Eu fiquei cansada só de ver aquela maratona cerebral acontecendo. Pensei, meu Deus, que cara fominha? Ainda quer assistir filme comigo? rsrs Após 10 anos dessa viagem, percebo que aquele era o futuro…sim, o nosso futuro, o meu, o teu, do mundo! Parece que a gente tá sempre querendo aquele Xis Tudo toda hora. Enfim, lembrei de tudo isso, porque me deparei olhando os stories de um casa noturna que divulgava dois eventos de Live Paiting com shows, etc e tal… Dois!? Não é muito? Pausa: lembrando que eu amo pintar, acho lindo eventos na rua com artistas urbanos, djs, comunidade… Sei que é também uma excelente oportunidade para artistas divulgarem seu trabalho…tudo certo. Voltando… Desculpa, mas me cansa Show Xis Tudo…até esse texto tá somando exemplos, rsrs. Já não basta ter que dar conta de tudo na vida? Trabalho, conta para pagar, estudo contínuo, saúde, eventos sociais e familiares…unhas sempre feitas? Quer outro exemplo ou tá demais já? Só mais um! Outro combo que parece o canto da sereia, porque sim, é lindo, é poético… E eu amo gastronomia e cinema. São aqueles eventos gastronômicos, com um chef famoso, que elabora o menu a partir de um filme que vai ser exibido, finalizando com um bate papo depois do rango, tudo para “harmonizar” o momento… desculpa, isso me desarmoniza a alma…é aquela frescurada carésima com queijo Brie, sabe? Eu quero poltrona no cinema, descanso depois do jantar e bate papo no boteco. Eu disse que ia ser o último exemplo, mas juro que finalizo agora. Me lembrei de quando fui a Salvador e entrei naquelas lojas gigantes de artigos de artesanato local. Andei, andei e olhei e não comprei nada…não consegui, lotou meu HD tudo aquilo. A gente quer tudo, como se todos os sentidos pudessem dar conta… mas a verdade é que a gente tem limite! Não é de se admirar que as pessoas reclamam que a memória tá pifando, o sono tá zoado, o sentimento é de não dar conta de tudo, de estar espremido no tempo e de uma constante frustração. Quer saber? Não sei se eu quero me harmonizar com a comida do filme ou com a pintura e a música, ou com o japonês esfomeado por tecnologia e sanduiche amassado na bolsa. No fundo, só queria ver e escutar, de fato, e sentir as coisas a seu tempo, às vezes, até em slow motion…e não como um rolar de feed do Instagram, que já faz tempo que prefiro ver sem áudio. Calma, nem tudo está perdido para mim, essa fórmula de juntar tudo no mesmo tempo e espaço me lembra algo que, de fato, aprecio muito: os Saraus. E Porto Alegre tem a sorte de ter o icônico Sarau Elétrico que, aliás, está fazendo 25 anos. Lá a atenção está na leitura dos textos, tudo demarcado…e a canja musical é no final. Tudo lindo. Gosto disso… Gosto dessa harmonia que deseja não somente servir tudo que tem, mas que deseja a escuta e o olhar qualificado do espectador… Será que é querer muito?

sábado, 1 de junho de 2024

O Bota-Fora da Enchente

Nos últimos tempos, tem-me chamado a atencao algumas expressões,que de certa forma são novas diante do último evento: a enchente. Uma das expressões que rasgou meu ouvido foi o tal dia do Bota-fora. O dia que o Prefeito mandou o povo colocar sua vida na rua sabendo que ia chover (foi ele que afirmou que sabia) e depois o povo viu tudo boiando porque o caminhão não conseguiu retirar... A expressão era quase uma ofensa, até eu entender, parecia um desejo de que tudo fosse limpo, retirado logo da vista, cabeça erguida em nome do mercado, aquele para o qual você deveria ter dado a vida na pandemia. Era "o dia do bota-fora". Caso você não saiba é como chamamos, a remoção de resíduos volumosos, sem utilidade para o munícipe-usuário e não passíveis de remoção pela coleta de lixo regular em razão de suas dimensões excessivas, tais como: móveis, colchões, madeiras e utensílios inutilizados. Bem que poderiam dar um outro nome para este momento, para mim soou como: "lavou, tá novo", levanta essa cabeça e bota fora! O dia do bota fora transformou tudo que tinha valor há menos de um mês: em lixo. E todos repetiam que o lixo estava nas ruas...que horror! Mas a verdade é que do dia para noite, os móveis da sala que recebia amigos e a cama que acolhia o cansaço virou lixo. Antes memórias, fruto de muito trabalho, presentes de pessoas queridas, produtos que gerariam renda, empregos, insumos que se transformariam em alimentos, que gerariam sensações e que fariam crianças sorrirem e pessoas confraternizarem... tudo isso agora era o lixo para todo mundo ver e reclamar que estava na calçada e depois boiando, atrapalhando o bueiro. Depois de dias na casa de um familiar, ou num abrigo, ou longe da sua cidade, vendo notícias 24 horas, sem dormir; chorando perdas de pessoas; vendo animais serem resgatados; assistindo a pontes caindo, cenários de guerra, crianças perdidas...mortes. Depois de tudo isso, você é convidado a retirar o lixo de dentro da sua casa. Sim! O teu Lixo agora vai viralizar! Vai para o Instagram, vai virar uma foto feia ou um vídeo editado com uma linda trilha sonora melancólica com 150 mil visualizações. Ou aquela trilha inspiradora para que você se sinta mais forte e erga a cabeça e reconstrua, porque você não tem outra opção... Luto meus caros, estamos falando de luto. E há que ter respeito, porque cada um sabe o custo emocional e material desta tragédia. O repertório de esperança agora é evocado tentando gerar uma estrutura necessária para prosseguir. Mas não se faz isso com um golpe certeiro, depois de anos de trabalho e de construção. Assim como fizeram com a passarela de anos, onde foi construído um “ Corredor Humanitário"... percebem? Outro nome que me incomoda, deveras altruísta e poético diante das negligências e do desrespeito com a população de Porto Alegre e das cidades que tiveram diques rompidos e 1 mês de enchente. Vivemos por dias no terror de águas que poderiam vir de todas as partes: do Guaíba, do arroio, do bueiro, da chuva, do dique, do deslizamento... ninguém dormiu. E quando a imagem do gaúcho altivo pretende a reconstrução, esse nome que se dá ao momento também me incomoda... Não seria o momento de falar em RECONCILIAÇÃO? Não seria o nome mais apropriado para evocar mudanças e ações que pudessem reconfigurar nossas cidades para que se tornem mais resilientes e se reconciliem com a natureza? Precisamos estar mais atentos à sutileza que forjam uma elaboração coletiva, que ainda está sendo processada. Por fim, desejo um "bota-fora" num outro sentido da expressão. Uma despedida de nós como cidadãos porto-alegrenses. de tudo que fomos até agora, a cidade precisa de nós, e nós somos a cidade. E que cidade volte a ser Alegre novamente, mas jamais se esqueça que foi um Porto.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

O Planeta arde enquanto as almas congelam

Como é triste se sentir refém de decisões ainda vindas de uma supremacia masculina...desculpa, mas não tem como não pensar. É isso mesmo. Feche os olhos e imagine uma guerra... Eu só enxergo homens empunhando armas e matando. Pense em governantes ...feche os olhos...quais são as lideranças que se apresentam nesse cenário? Ah, mas há homens querendo negociar a paz...sim, nada mais justo que eles resolvam o Game que inventaram. Até porque crianças e mulheres são as vítimas mais vulneráveis deste conflito...não teremos força nenhuma para pedir paz, diante da força física e do poder. Perderemos nossos filhos fora e dentro do ventre, e nos perderemos de tudo que um filho representa: a esperança de uma vida em um mundo possível de viver. Infelizmente, os homens brigam entre si por falta de diálogo, e é o mesmo que fazem contra suas parceiras quando não aceitam um divórcio, ou um jeito de ser... O homem não negocia consigo, e não negocia com o outro, ele mata, agride, anula, extermina quando se frustra e quando deseja o poder. Sim, há muito que se pensar neste momento, pois evoca o quanto nos apequenamos nestes tempos. Os homens parecem não enxergar que hoje deveriam estar sentados não para discutir a Paz... Temos pautas mais importantes sim...e que escapam de nossas mãos, que logo mais não terão poder e nem dinheiro que resolva. As Guerras estão nos distraindo como humanidade, é como se grudássemos a cara numa tela de games e quiséssemos apenas jogar o próximo jogo, enquanto um familiar nossa precisa de nossa ajuda, um ente querido tem uma doença grave...e seguimos querendo mais um jogo instigante. Quem adoece é o Planeta, o lugar de todos. Me admira que, numa pandemia, alguém tenha desejado guerrear, e eles desejaram. Me admira que tenhamos aceitado aqui no nosso país mais de 3000 pessoas morrendo por Covid mesmo já havendo vacinas. Foi ontem, e será que também vamos virar a página como se nada tivesse acontecido? É fato, nosso olhar se acostuma com a barbárie e com o rio que sobe e leva casas, animais, árvores e famílias e com o animal pendurado no fio do poste. Simplesmente colocamos a casa um pouco acima crendo que o rio nunca mais vai subir como no ano passado...seria otimismo? Ou será que optamos por negar, ao invés de aprender com a experiência e encarar que nossos governantes precisam fazer algo? Uma Guerra neste momento que o planeta arde ou congela??? Só pode ser por insanidade de nossas lideranças que ainda vivem no passado e por nossa própria indiferença. Não sei... Já não bastava a Ucrânia e a Rússia? Não foi distração suficiente até agora ver um povo ter que sair de seu país para deixar os machos brigarem? Me admira que numa crise climática gravíssima, o desejo de mais uma guerra ainda seja mais importante do que é fundamental: Solucionarmos a nossa permanência neste planeta. Esta é a questão primordial de interesse de todos, mas como dialogar com o mundo se não há paz e nem diálogo entre países? Dizem que a Pandemia não nos ensinou nada. Estou convencida de que realmente parece que não ensinou nada, sobretudo aos nossos governantes. E também não ensinou nada ao povo, que imerso à negação deste momento grave de regiões superaquecidas e outras congeladas, ainda nos damos ao luxo de eleger criaturas monstruosas para determinar o rumo de nossas vidas. É muito triste que ainda se queira um palco para lutas antigas e vítimas conhecidas e sem quaisquer condições de se defender. É triste imaginar que a guerra impõe aos sobreviventes tantos lutos e desapegos. Mas que ao mesmo tempo, negligencia as almas que ali estão feito alvos, sem mais nada enxergar ou se apegar. São corações e olhos que poderiam desejar um futuro melhor, mas que hoje nada enxergam além da dor, da fome e do terror. Hoje há em Gaza 5 mil mulheres prestes a darem luz. Agora me digam, como dar à luz na escuridão e inexistência de tudo? Quantas subjetividades estão sendo jogadas nos escombros como se nada tivesse existido antes ali? E não nos cabe aqui avaliar que tipo de vida tinham e queriam preservar antes da guerra...seja na Ucrânia, na Rússia, em Gaza ou em Israel...não há espaço para o futuro nestes lugares quando a guerra se instala. De que nos adianta tecnologias e inteligências artificiais se não promovemos a vida? Se não nos empenhamos em preservar o planeta e as relações? A pauta da guerra é imprescindível se ela ocorre, mas essa pauta neste momento poderia ter sido congelada, deveríamos estar em movimento coletivo de paz e reconstrução de modos de vida pacíficos e sustentáveis, mas seguimos assistindo nossos líderes com seus jogos brutais, a nos debruçarmos naquilo que efetivamente deveria ser a pauta do planeta: nossa existência. Revisão: Deliamaris Acunha

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Quando nos abraçarmos novamente

Quando a pandemia começou,

uma frase não saía da minha cabeça:

"Quando nos  abraçarmos, não  seremos mais os mesmos".


Há mais de um ano,  Miguel Nicolelis alertava para a situação do nosso país.  Ele afirmou que  não estaríamos vivendo uma Pandemia, mas sim uma Sindemia, e que teríamos muitos outros problemas sanitários pós-covid, é só vermos o que ocorreu com as cidades no pós-guerras. 

A quantidade de mortos que enterramos é sobrenatural,  e isso gera impactos no meio ambiente.

Temos centenas de milhares de sequelados...muitos morrendo meses depois de terem adoecido...

Vcs não fazem ideia o que eu tenho escutado nestes últimos meses!  Famílias devastadas, com sobreviventes da covid dentro de suas casas exigindo uma série de cuidados. Famílias que perderam seus provedores, buscando alternativas de sobrevivência para sustentar seus filhos pequenos. Uma penúria, dá um dó do nosso povo!!

Atendi 20 pessoas ontem, a metade estava desempregada...


Tem gente trabalhando de 14h a 16h por dia, e tem gente que não acredita que o povo está roendo osso!

Enquanto isso, as cidades  inauguram lindos restaurantes, pubs, cafés...e todos aplaudem a tal retomada das atividades.

Acabei de ver um homem deitado na beira do arroio diluvio enrolado num cobertor que lhe aqueceu durante a noite ainda fria...é normal alguém viver  sem abrigo, sem alimento, sem dignidade? Quase todos os dias alguém pede comida na frente da minha casa. 

O Brasil precisa de ações de Assistência Social! Isso é urgente...não adianta ter a visão curta e desumana de achar que as pessoas são vagabundas ou nao aproveitam as oportunidades. 

Já atendi muitos vulneráveis que bebiam cachaça para dormir, para esquecer a desgraça e por achar que se aquecia no frio. Já vi muitos viciados gastarem o pouco que ganhavam em apenas um dia de consumo de droga. E aí? A gente não os ajuda por isso? Ajuda sim!!


Nao sei se vcs ouviram a notícia sobre um surto de diarreia aguda aqui no RS...são  muitas as razões, eu sei. Mas isso me fez lembrar dos alertas de Miguel Nicolelis sobre a contaminação das águas pelo número de mortos e da contaminação dos lençóis freáticos. Eu sei que vc quer a sua vida de volta, quem não quer?  Mas verdade é que a vida que o brasileiro quer não era tão  boa assim...e essa é outra maneira de sermos negacionistas. 

Eu não quero ser a mesma depois da Pandemia ou durante a Pandemia que segue...


Se eu for a mesma será a constatação inequívoca de que eu não estou  aprendendo nada com essa experiência. 

Eu sigo pensando na frase de abril de 2020. E achando que realmente não seremos mais os mesmos quando nos abraçarmos... Uns terão a consciência de que mudaram e que tudo mudou...outros seguirão  onde sempre estiveram...

Revisão Deliamaris Acunha

terça-feira, 31 de agosto de 2021


TODOS OS LIXOS DA ORLA DO GUAÍBA

Se eu fosse o sol, nunca mais apareceria por ali. 

A natureza e os animais se pudessem pensar estariam agora nos olhando com desprezo, pois teriam razões  para isso, mas eles são melhores do que nós!

A natureza e os animais poderiam também nos olhar intrigados 

"porque uma espécie ameaçada,  morre em bandos e seguem se contaminando? 

Eles bem que poderiam pensar..."nossa eles são selvagens mesmo, e não aprendem com essa tragédia que os assola...não entenderam o limite que cruzaram? E não sabem que o pior já está no cotidiano deles as chuvas abundantes, as secas, os incêndios? Eles não observam a natureza?


Quando desceremos desse salto?

A natureza não precisa de nós, e nem mesmo esse animal de estimação que você acha que vai morrer de fome sem a ração cara que você dá para ele. 


Os lixos na Orla do Guaiba revelam muitas coisas: a primeira é que  os espaços públicos não são percebidos, como de uma coletividade, e isso tem a ver com EDUCAÇÃO! 

Porto Alegre não é de quem mora nela???????

Ou será  que a cidade que se gaba de ser mais culta que o resto do país transformou o pôr-do-sol  em mais um produto que precisa ser consumido junto com bolachinhas recheadas, refrigerante, cerveja e salgadinho ?

Alguém pagou ingresso? 

E alguém que limpe depois? 

OS LIXOS na Orla também mostram a ineficiência dessa Prefeitura, que instala poucas lixeiras e não mantém o serviço de retirada de lixos continuamente durante o final de semana. O Prefeito não deveria economizar nessa hora, com tantos desempregados, afinal de contas ele quer a cidade aberta, e o eleitor dele também quer.

OS LIXOS na  Orla revelam que um dos  piores erros foram  cometidos por centenas de pessoas numa pandemia: a retirada de máscaras  para comer, beber ou para exercício da tal  liberdade de ir e vir...

Nenhum lixo deveria estar no chão se tivéssemos consciência da gravidade da Pandemia.  

No entanto, TODOS OS LIXOS estavam lá!  Alguns nas lixeiras, outros fora dela.  Outros sentados na orla, falando alto, bebendo e rindo. E a maioria nem viu  o pôr-do-sol... 

Ocupavam-se em  desdenhar da VIDA!