quinta-feira, 29 de maio de 2014

Bubbles

Peter Van Pels e Anne Frank
Será que um dia esqueceremos o verdadeiro encontro?
Hoje eu realmente me preocupo muito com este assunto. Mas admito que na minha adolescência, esta era a menor das minhas preocupações...

Aos 13 anos, eu teria o meu primeiro encontro com um livro, “O Diário de Anne Frank”. Anne tinha 13 anos quando começou a escrever seu diário, infelizmente numa condição inóspita de confinamento na Segunda Guerra Mundial. Passados mais de quarenta anos, quem diria que eu e Anne nos tornaríamos cúmplices do mesmo amor? Enquanto ela descrevia sobre o seu amor por Peter, eu me apaixonaria por aquele menino do livro que surpreendentemente eu encontraria nos corredores da minha escola nos anos 80!

Não foi difícil reconhecê-lo, mesmo porque Anne o havia descrito minuciosamente para mim: "Ele tinha cabelos escuros, olhos castanhos lindos, bochechas rosadas e um nariz encantadoramente pontiagudo”.
E lá estava Peter ao alcance dos meus olhos e do meu coração. Peter nunca soube da minha existência, até porque não era necessário, ele já existia para mim, mas no fundo sempre foi de Anne...
David Vetter
Muitos meses se passaram entre olhares jamais correspondidos.

Sem que eu soubesse, naquele mesmo ano de 1983, os pais de David Vetter, lutavam para manter o filho vivo. Após 12 anos confinado em uma bolha de plástico, que o mantinha livre de contaminações, os médicos vislumbraram uma alternativa de cura para sua doença.  David nasceu com uma deficiência imunológica rara.  Em 1984, fez um transplante de medula dentro da bolha, mas devido a complicações em seu pós- operatório, foi retirado da bolha e acabou morrendo.

Infelizmente, a vida não imitou a arte.

Quando David tinha 4 anos, sua  história já era conhecida e  inspirou um filme marcante nos anos 70,  “O menino da bolha de plástico”. Apesar de uma história tocante e triste, o menino Tod,  interpretado pelo estreante, John Travolta, consegue sobreviver na bolha até a adolescência e apaixona-se pela sua vizinha, razão pela qual deseja viver em sociedade.

Assistindo a uma reportagem do ano de 1976, sobre o caso de David, um médico responsável pelo caso, chamou a bolha de plástico de David de “ilha da vida”.

Ilha da vida? Segurei a expressão e não consegui largá-la.
Conforme relatos daquela época, na verdade o menino temia sair da bolha e morrer e, na puberdade já começava a  apresentar  um comportamento de revolta pela sua condição.

Se pensarmos, Anne Frank também viveu confinada numa espécie de bolha quase que inevitável.   Ambos estiveram confinados em bolhas de proteção contra a morte, mas que na realidade os impediram de viver.
Não tenho dúvidas de que meu amor platônico serviu de ensaio para os amores reais.

Mas e o nosso adolescente “new platonista” da era virtual, teria a mesma sorte de encontrar seu amor virtual nos corredores da escola?

O que dizer do adulto em tempos de múltipla escolha?
Teria coragem de romper a bolha que lhe garante plena autonomia?
E aqueles que se mantêm unidos, coabitando em suas bolhas high tech, estariam  livres das “contaminações” do cotidiano?

É inquestionável que as bolhas de Anne e David os mantiveram vivos, mas essas supostas proteções estão longe de serem chamadas de “Ilhas da Vida”.
Infelizmente, as bolhas não os preparam para a vida, apenas adiaram seus finais.
A morte para Anne, Peter e David ocorreu fora da bolha, mas isso não é regra.
Hoje o que me impressiona são as bolhas autofágicas que se encerram em caracteres digitados e imagens alteradas. Será que um dia esqueceremos o toque da pele? Como lembrar algo nunca vivido?
O virtual nunca substituirá o toque, o calor do rubor e o frio na barriga que invade pela lembrança do amor presenciado.

Exaurida de tantas bolhas de plástico, preferi me lembrar das bolhas de sabão! Que bom poder recordá-las! Bolhas feitas de fluidos. Bolhas de ar, leveza e colorido. Bolhas que se elevam! Bolhas fugazes que brilham e explodem no tempo e no ar. Bolhas que se multiplicam! Bolhas que surgem de um sopro de vida. Bolhas que nascem do sopro no ar!



domingo, 16 de março de 2014

Planeta das Beldades


Imaginem a cena: mulher linda atravessando a rua, vestida com uma roupa impecável, cabelos bem cuidados, pele bonita, maquiagem perfeita. Ela faz  menção de atravessar a rua, olha para o sinal, desiste e perde-se no próprio olhar. Antes de eu passar com meu carro, verifico a dissonância daquele olhar e concluo a meu modo:
“Mulher bonita não combina com um olhar triste”.
Ok! Me dê alguns minutos para que eu me explique.
Imagine um planeta cheio de beldades se sentindo feias. Magras se sentindo gordas, jovens se sentindo velhas, espertas se sentindo tolas.  Enfim, todas se sentindo insatisfeitas consigo. Comecei a acreditar que vivo nesse planeta, o qual, segundo alguns homens de outros planetas, as beldades brotam da terra!Dizem que há mais mulheres  do que  homens, mas já me disseram que o problema é que eles morrem em massa entre 18 a 25 anos.  O resultado dessa desigualdade, é que lá na frente teremos 10, 15 ou até mais mulheres para cada homem. Eu particularmente não acredito nesse  “termômetro da noite” ,  pois é inegável que as mulheres são mais sociáveis, gostam de se reunir, portanto, vão se encontrar inevitavelmente aos bandos na noite.
Enquanto isso, e em menor número, os homens saem menos, são mais tímidos. Além disso, contam com o consolador “PFC”,  Playstation, Futebol e Churrasco.
Mas e as beldades? Creio que vivem  num contexto de tragédias confluentes: lindas subnutridas de espelhos quebrados X bonitinhos supernutridos de espelhos distorcidos.
O planeta das beldades vive repleto de insatisfações balizadas por modelos tão conservadores que, na menor das desilusões, lá está um corpo feminino jogado na primeira lixeira da esquina.
Mulher bonita  nesse planeta, em geral, tem uma péssima autoestima!
Enquanto isso os machos no planeta das beldades elevam seu passe de todas as formas. O   gordo, o velho, o tolo, todos pegam! E se pegam, para que esforço? Oferta grande, preços baixos, consumidores empapuçados! Apesar do mercado aquecido, ainda topamos com alguns caprichos, como a importação do recato.
Em resumo, não basta ser bela, é bom ser quase uma virgem.  Ah, não estão acreditando? Um dia escutei de um rapaz de 30 anos o seguinte: aqui (na capital das Beldades) as mulheres não valem nada! No interior, elas são mais recatadas...
Quanta bobagem!
O panorama é o seguinte, algumas exigem muito, outros exigem mais do que realmente podem bancar, e outras não exigem nada! Aquelas que não exigem, inflacionam  o mercado e impõem um jogo que ainda não tem uma regra clara.
Mas e os impactos desse contexto? Alguns efeitos dessa dissonância são visíveis, homens pouco vaidosos e mulheres biônicas gastando os tubos no salão de beleza. Algumas desesperadas;  outros confusos e inseguros. Uns tontos, se perdendo de tanta oferta, mal degustando, mal conhecendo e prontos para o descarte. Elas distorcem, se humilham, se vingam,  se desvalorizam e, com o tempo, vão entristecendo o olhar.
No planeta das beldades, a disputa acaba com as amizades entre as mulheres e, sobretudo, acaba com o amor próprio.
O problema é que muitas beldades desesperadas se lixam para a ética! Passam por cima das amigas e não vêem diferença entre homens solteiros e casados.
Pobre de algumas beldades, agonizando nesse planeta desigual!
O espelho da beldade mostra tudo, mas não convence. A cada lugar uma beldade mais linda, mais perfeita.
E como explicar que a mais linda de todas as beldades se sinta sozinha? Tadinha, esmola, quando é demais, o santo desconfia, e o pior, o santo não  banca.
Viver no planeta das beldades sendo mediana arrumadinha é como ser a mulher invisível daquele filme brasileiro, com a vantagem de que o protagonista nem precisaria se esforçar muito para imaginar. Aliás, se ele se esforçasse um pouquinho, certamente teria que fugir para debaixo da cama, pois não daria conta da multidão de mulheres invisíveis...
Ah! Boa pergunta! Será que eles estariam dando conta dessa multidão?


Uma Rua e Cem saídas



 se 

Uma Rua e Cem Saídas
Cláudia Coelho
Final de semana passado, eu dirigia rumo ao aeroporto e percebi uma cena inquietante. Havia famílias reunidas no meio-fio do corredor de ônibus, algumas crianças andando de bicicleta, mulheres e homens correndo no asfalto. Bacana essa cena, não fosse o local! Um corredor de ônibus fechado disponibilizando aos frequentadores daquela área nada mais do que o asfalto, monóxido de carbono, pista livre e segura aos pedestres. E, como se não bastasse, “um lugar ao sol” àqueles que pretendiam se bronzear.
Fiquei imaginando uma daquelas pessoas descrevendo o seu final de semana:  “ Foi superbom lá no corredor de ônibus, nos divertimos muito!”. Mas será que elas não teriam alternativa melhor? Pela  lógica, aqueles que possuem melhor poder aquisitivo deveriam ter mais opções de  lazer. Como alguém que mora num bairro nobre de Porto Alegre poderia se contentar em passear num corredor de ônibus aspirando monóxido de carbono? Nem em São Paulo eu aceitaria essa opção.
Eu me vi sem saída para explicar aquele fenômeno e me reportei imediatamente à Rua C, como era chamada nas décadas de 70 e 80. Ainda pode-se dizer que é uma rua tranquila, mas era muito mais no passado. Ao contrário daquele corredor de ônibus cravado numa avenida tumultuada, a Rua C oferecia  um sem número de possibilidades e entretenimentos. 
A Rua era tão pacata que estendíamos uma rede de vôlei de uma calçada a outra. O jogo de taco também era realizado com latas de azeite enfiadas nos pequeninos buracos da rua. Ao fundo, tínhamos uma espécie de parquinho natural, era uma “saibreira” que acolhia nossas expedições em grupos, além de muitas histórias misteriosas relembradas até hoje.
À noite, a Rua C abrigava penumbras mágicas perfeitas para o esconde-esconde. Os patins viravam sapato e tinham as rodas desgastadas das calçadas inapropriadas, mas que eram perfeitas para as meninas jogarem sapata.  A brincadeira de corda não podia ser melhor quando espichávamos a corda de uma calçada a outra e rolávamos de rir quando o foguinho testava os mais rápidos no pulo.  A Rua C adorava ver crianças  jogando  bola e passeando de bicicleta com cata-ventos de seringueira pendurados no guidão. 
Dia de chuva não podia ser melhor, tomar banho de chuva, escorregar nos pisos lisos das casas, dar risada dos tombos, torcer para a rua alagar! E, quando a chuva parava, a brincadeira seguia. Corríamos para os filetes de água no meio-fio da calçada com nossos barquinhos de papel para ver quem chegava primeiro no bueiro insólito.
A Rua C não cabia no calendário de tantos aniversários, e, para sorte da criançada, as quituteiras da rua sempre foram maravilhosas. O barulho das festas na rua nunca foi motivo de desavença, até porque  os vizinhos sabiam que, no futuro, também fariam seu barulho de festa, sempre foi assim.
A Rua sem saída era uma rua que acolhia diferenças sociais, dramas familiares, mas também muitos amores. Amores juvenis livres de qualquer preconceito, amores que  viraram casamento e outros que não passaram de um beijo.
A Rua C, não julgava, mas, por vezes, se ressentia com a severidade de alguns pais e com a indolência de alguns filhos.
Mas a Rua C também chorou muitas vezes.  Apesar de ser uma rua de paralelepípedos desiguais, o trânsito, sem cintos e muito álcool, tirou a vida de muitos amigos. A Rua C lutou pela vida de muitos que se acidentaram, e venceu,  mas perdeu  quando a medicina ainda não encontrava a cura. 
A Rua C debutou com as meninas que se tornavam mulheres. E vibrou com as labaredas das fogueiras de São João e a dança do pau de fita nas escolas da redondeza.
Alguns podem achar  que essa rua nunca existiu, pois eu a vejo dessa forma. E hoje, de fato, ela não existe mais, a Rua C ganhou um nome difícil de um ilustre médico, mas pouco conhecido. Ao contrário da Rua C, de tão escondida, parece ficar na memória de quem a conheceu: “Ah! Aquela Rua sem saída?”.  
Sem saída? Creio que não. A Rua C ofertou cem saídas para suas crianças, mil maneiras de ensinar seus adolescentes e infinitas formas de se reinventar para os seus adultos e idosos.
Eu confesso que, na minha infância, sempre sonhei que a Rua C só iria crescer quando fosse asfaltada, mas isso nunca aconteceu.  Mas, se essa rua fosse minha...
“ Eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes...”

sábado, 30 de novembro de 2013

As tartarugas e o Tinder

As tartarugas-macho estão nascendo cada vez menos...

Fiquei sabendo disso em João Pessoa, quando conheci o Projeto Guajiru. A coordenadora do Projeto explanou sobre o assunto, salientando que a reprodução das tartarugas estaria ameaçada tendo em vista  o gradual aumento da temperatura dos oceanos. Segundo a coordenadora, a temperatura das águas influencia na definição do sexo das tartarugas. Ao escutar aquela informação, foi praticamente inevitável transpor  a  situação para superfície...
Atire a primeira pedra quem nunca teve curiosidade em conhecer um site virtual de namoros?
Com licença, mas na minha condição de ser avulsa, livre e desimpedida, não poderia deixar de dar uma espiadinha nessa virtualidade. Naquela época, aprendi algumas dicas para sobreviver a estes sites cruéis! A primeira é: aprenda a ser rejeitado, e a segunda, rejeite!
Além do exercício de auto-estima, compreendi que as ilusões da busca de um “par perfeito”, se reproduzem tanto no mundo virtual como no real.  Mas já que as incertezas são imanentes ao mundo virtual, por que seguimos na esperança de encontrar?
Neste momento, vocês poderiam estar pensando que nem todo mundo quer a mesma coisa num site de relacionamentos. É verdade,  talvez seja a parte mais dura dessa brincadeira!
 A virtualidade filtra, seleciona como se quisesse fazer o nosso papel. Enfim, há certamente um interesse de economizarmos nisso tudo. No entanto, o mundo virtual nem sempre garante a  blindagem. Percebi na minha experiência virtual que há mais possibilidades de você conhecer pessoas com algum tipo de fobia social, por exemplo. Há mais chance de encontrarmos pessoas com mais dificuldade de encarar o “face to face” das baladas e dos botecos.
Bom! Mas também não quer dizer que os corajosos estão na noite. Quer fazer um teste? Observe a primeira hora de uma festa, depois repita a observação. Após duas ou três horas de consumo de álcool, você verá um bando de corajosos e corajosas! Hum, assim é fácil!
Mas e na virtualidade? Estaríamos livres da presença do álcool?  Infelizmente não. Só do bafo de trago! Sabe aquele verdinho-online às 3h da madruga? Pode ser um caso de “virtualidade embriagada”: escrita soltinha, perdão frouxo, desabafo inesperado, juras e mais juras de amor...  Sugiro que você aumente a dosagem de paracetamol no outro dia, caso você  pense em olhar  o registro de suas conversas da noite.
Nas últimas semanas, conheci um novo aplicativo chamado Tinder.  É o aplicativo do momento, hiperssimplificado. Um “X “na cara do vivente significa “não gostei do que vi”, do contrário, você clica num coração significando “talvez ”,  “aparentemente parece legal”. O aplicativo faz o resto e apresenta “as partes” para um possível encontro virtual ou real.
Duas semanas de Tinder foi o suficiente para eu ter vontade de  criar um aplicativo que derrubasse os perfis de homens casados, no estilo “se colar colou”!
Descobri que eu sou exigente e ninguém tem nada com isso. Antes que o próprio Tinder me excluísse por falta de matchs, que é como chamam quando os corações são mútuos, eu resolvi me excluir. O golpe de misericórdia foi constatar que um Tinderiano há menos de dois meses casado,estava lá, lépido e faceiro querendo colar com alguém... Ah e ninguém tem nada com isso? Eu acho um desaforo e uma cara de pau!
E como não entender, nos dias de hoje, que alguém diga que tem medo de se envolver?
Quem não confia se apavora, quem confia tem medo, quem tem medo não se envolve, quem se envolve tem medo de confiar...
Tem gente que é capaz de trair só para não ser traído primeiro!
Mas então qual é a parte divertida desse Tinder? É justamente imaginar o que eles querem dizer quando colocam fotos no perfil do aplicativo! Então acionei a minha tecla SAP!
Imagem: Homens ao lado dos seus carros carésimos:
Lê-se: Vejam como eu sou poderoso e tenho dinheiro, mas não sejam interesseiras, ok?!
Imagem: Homens ao lado de um amigo bonito.
Lê-se: Ok?! Eu sou feio, mas eu tenho um amigo bonito, então isso quer dizer...damm!
Imagem: Homens fazendo um esporte radical.
Lê-se: Vejam como eu sou forte, corajoso, jovial ,uahhh!
Imagem: Homens em frente ao computador naquelas fotos de webcan, com a cama desarrumada ao fundo...
Lê-se: Pode parecer que não tive ninguém para tirar essa  foto, mas é só impressão,  viu?! Eu tenho muitos amigos que me acham superlegal!
Imagem: Homens beijando a camiseta do time, com o boné do time... e no estádio, pois  eles amam o time!
Lê-se: Olá, espero que tenham  percebido que o meu time está em primeiro lugar, e não sei bem por que estou aqui ,mas seria essencial que  você torcesse também para o meu time.
Imagem: Homens  que colocam na segunda foto do perfil um  copo gigante de chop.
Lê-se: Olá, eu sou um cara bacana, adoro um bate-papo num barzinho.  Quem sabe tomamos umas hoje, ou ,quem sabe, amanhã?  Conheço lugares ótimos para beber! Ah! Se eu tenho algum problema com bebida? Não, beber é a alegria da minha vida!!
Imagem: Homens  com amigas bonitas
- Olá, meninas! Estão vendo? Eu pego! Estão vendo? Eu pego! Ah! E eu pego as lindas, portanto seria ótimo você ser do meu tipo? Qual tipo? Tipo miss!
Imagem: Homens com suas esposas
Lê-se: Olá ! NÓS queremos dar uma “variadinha”, está a fim?
Ou
Lê-se: Olá, a minha moita está ocupada, mas sempre cabe mais uma! Aliás, minha esposa sabe que eu estou no Tinder, ela não se importa e acha bonitinho eu procurar amiguinhos aqui!
Imagem: Homens que posam com seus cachorros.
- Se não gosta de cachorros, nem vem!
Ou
- Olha só como sou sensível, gosto até de bichos...
Imagem: Homens que colocam figurinhas de desenho animado.
Lê-se: Desculpe, não tive tempo de colocar minha foto, é que eu estava jogando  play  com meus  amigos, mas o principal é dizer que eu nunca esqueço da minha infância, como era bom...
Imagem: Homens que colocam fotografias em locais nevados.
Lê-se: Vejam só como eu sou um homem viajado! Se você não conhece, eu posso lhe explicar o que é essa coisinha branca ali fundo da fotografia...
Imagem: Homens acima de 50 anos ao lado de suas motocicletas gigantes e potentes.
Lê-se: Estão vendo a minha moto? Coisa mais linda! E o que está escrito na minha camiseta, será que deu para entender? “ 61 + me sentindo 16!”.
Imagem: Homens vestidos de noivos (????) com ou sem as noivas (até porque a noiva é detalhe).
Lê-se: Olá, meninas! Vamos ser bem francos, eu sou casado. Estou sendo muito honesto e,aliás, é a minha maior virtude, não sei enganar ninguém!
Imagem: Homens abraçados  seus filhos.
Lê-se: Eu não pretendo ter filhos.
Ou
Só para avisar: “o meu já está pronto”.

Ufa! Essa última imagem foi over, e para mim chega de tecla SAP!
Impressionante o número de homens que repetem a mesma postura na hora de se “vender”.  Os próprios homens ficariam impressionados com o número de participantes do Tinder que aparecem com seus filhos! E o pior, muitas crianças pequenas, demonstrando total falta de noção e desrespeito com um ser humano que não tem nada com isso.
Agora imaginem  uma mulher que está procurando um outro relacionamento e tem filhos. Será que ela acharia atrativo aparecer com suas crianças? Lógico que não! Mulher solteira com filhos sofre preconceito! Desculpa, mas é a verdade!
Mas,  tirando os pais de verdade e orgulhosos de seus filhos, ou aqueles desavisados que nunca leram o Estatuto da Criança e do Adolescente e que não têm noção de que deveriam proteger a imagem dos seus filhos, restam aqueles pais que querem se  “blindar” mostrando seus filhos na hora de buscar um flerte. É impressão minha, ou será que temos mulheres procurando um pai, na hora do flerte?
As águas turbulentas e aquecidas dos nossos oceanos estão ofertando poucas possibilidades de reproduções equânimes no mundo animal. Mas o que dizer das relações entre os homens e as mulheres? Será que estamos virando tartarugas? Nos arrastando, nos atrasando? Ou será que os relacionamentos entre os seres humanos também estão ameaçados de extinção?



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Fórceps hormonal



Depois de muitos meses vivendo uma revolução hormonal precoce e avassaladora, sinto que agora, posso falar!

Este ano tivemos no Rio Grande do Sul, um inverno rigoroso, mas o meu clima, particularmente, era de verão! Enquanto os hormônios me abatiam, assim como o humor e o sono, a escrita ficou comprometida. Escrever ou não escrever sobre algo tão pessoal?
Resolvi me queimar e botar a mão no fogo, já que o restante estava em chamas! Nunca imaginei que os tais fogachos, sempre descritos por personagens humorísticas, fossem me tirar o fôlego e o humor. 
E o que dizer do que defini como “desorientação climática”? Qualquer pergunta é mais fácil de ser respondida do que informar para alguém como está a  temperatura no dia. Você começa a desconfiar. Principalmente, quando se vê esbaforida, se abanando, enquanto todos olham para você sem entender a sua agonia.
As dúvidas persistem em relação ao clima e o que fazer com o desconforto.  Enquanto isso, o fogo se alastra, invade e ruboriza a qualquer hora do dia. Você não sabe se cospe a sua roupa para fora do corpo ou se finge que nada acontece.  Mas o que está acontecendo? O climatério chegou e, com ele, uma revolução hormonal impressionante.
Mas como viver sem estresse, com o calor do climatério ou da menopausa? Como viver esse o choque térmico contínuo e desgovernado? O que seria mais difícil? O verão dentro do inverno?  Ou o verão dentro do verão?  Eu diria que o nível mais alto de dificuldade, definitivamente, seria o verão dentro das noites de inverno.   
Viver uma noite climática invertida exige fôlego! A mulher sente o frio lá fora e,  iludida, se refugia do frio embaixo das cobertas. Mal sabe ela que possui um aquecedor potente no climatério. O problema é que o aparelho dela será acionado diversas vezes no meio da noite... Ela não vai dormir, é certo! E se ela tiver um parceiro? Pobre do homem que tenta dormir ao lado dela. Ah! Coitado! Se todo esse fogo da mulher fosse um sinal de desejo, alguns homens não se importariam  de não dormir. O problema é que, neste período a baixa da libido pode deixar muitos maridos a ver navios só pegando fogo!
Depois dos 30 anos de idade, qualquer mulher percebe que meia hora perdida de sono acaba com a pele. Agora imagine se ela passar meses sem  dormir  por causa da insônia e dos fogachos noturnos. Se a menopausa é um sinal de envelhecimento dos óvulos, o climatério seria o fórceps do envelhecimento! E depois daquela noite literalmente fritando na cama, ela se olha no espelho e pensa que vai envelhecer antes do tempo! Isso sem falar do dia que vem pela frente, sujeito a chuvas e trovoadas de irritabilidade no decorrer das horas!
Mas a saga feminina, em geral, começa muito mais cedo! É na puberdade que a menina toma consciência das primeiras demandas físicas. Tadinhas! 
Ainda tão meninas, e tendo que encarar a visita ao ginecologista. E a mãe da menina então?  A pobre terá a árdua tarefa de convencer a filha de que é muito normal mostrar suas partes íntimas para alguém que ela nunca viu na vida! Ah! Por favor! Isso não é fácil!  É pedreira! Constrangimento necessário, todos sabemos! Mas dizer que é uma maravilha?  Assim como muitas mulheres ainda tentam fazer de conta que o desconforto feminino é bonitinho?!  
Além de sermos forçadas pelos hormônios a sermos mulheres ainda na puberdade. Vocês já notaram que existe sempre uma outra mulher de plantão querendo convencer uma outra de que “faz parte”, “ser mulher é assim, tão lindo”, “parir um filho, tão lindo, tão fácil”, “menstruação coisa linda, já é uma mocinha”. A mulherada se esforça nessa hora! Elas insistem em querer amenizar o sofrimento das próximas vítimas do corpo feminino!
E vocês já viram quem parabeniza a menina que menstrua pela primeira vez? Em geral, são as mulheres da família que parabenizam? Por que será? Nessas horas, muito me agrada a autenticidade do desconforto de um pai, ficam quietos, apavorados!
Por falar em pavor, notícia ruim vem sempre acompanhada.  Menstruação também! Com ela, uma série de constrangimentos, cuidados, paranoias do tipo, se manchou a calça, a bermuda, se alguém pode ver quando ela levantar da cadeira...  Se a cordinha do “ob” não ficou pendurada quando ela saiu da piscina? E será que o professor vai entender que de tanta cólica ela não conseguiu estudar para a prova de matemática? 
Termina menstruação! Termina TPM!  Ufah!  Mês que vem enfrentamos essa fera novamente!  Realmente, a menina precisa ser muito mulher e muito macho também  para enfrentar tudo o que esse corpo feminino demanda! O corpo muda e a mulher muda!
É claro que, eu não poderia deixar de falar sobre a conhecidíssima TPM.  Por sinal um assunto que é motivo de piada entre as próprias mulheres. Mas sinceramente, não vejo graça nenhuma!  A TPM é muito mais do que alguns dias de irritação ou caprichos femininos.  Esse período envolve aquilo que chamo de “dias nublados”. A vida se acinzenta e pode conduzir a mulher a questionamentos nebulosos. 
Por essa razão, tudo parece mais difícil do que realmente é. Inevitavelmente, o fórceps hormonal impelirá a mulher a pensar naquilo que ela não precisava pensar. Por conta disso, elas pensarão demais  nos seus relacionamentos. Mas nem todos percebem que as mulheres e os homens dividem o mesmo espaço e tempo com os hormônios. Por isso, a previsão do tempo alerta: teremos muitos intempéries pela vida. 
E agora?  Alguém se arrisca a responder como está o tempo lá fora? 

domingo, 29 de setembro de 2013

Chefs da Fórmula 1


Dias de chuva não me abalam, mas a combinação de frio + chuva + final de semana é pra matar!
Então eu resolvi fazer nada, ou melhor, resolvi me distrair com um dos meus passatempos favoritos: ver programas de culinária!
Desde os 12 anos de idade vejo esse tipo de programa. Lá em casa era fatal, 10h10 era a hora de ver “A cozinha maravilhosa da Ofélia”, caneta e papel na mão!
Via de regra, cozinhar é uma atividade que me deixa “zenfeliz”. A expressão poderia ser traduzida pela mescla de sentimentos de felicidade e serenidade.
Acomodei-me na frente da TV e comecei uma maratona de programas de culinária. Mas, ao contrário do que eu esperava, o primeiro programa me deu arritmia. Era com o famoso chef Gordon Ramsay. Eu perdi as contas de quantas receitas e dicas foram dadas em 5 minutos. Pobre dos meus caderninhos de espiral para receitas, é certo que estariam em branco, não fosse o passo-a-passo da saudosa Ofélia.
O chef Gordon tem uma notoriedade indiscutível ao recuperar restaurantes falidos no atendimento, e nisso ele é mestre. Mas quando vai para cozinha, ele reproduz a dinâmica de um restaurante na velocidade de uma corrida de Fórmula 1.
Os ingredientes e as receitas surgiam numa velocidade absurda, acompanhados de um aviso quase reconfortante, “você pode acessar todas as receitas pelo site www...”. Mas se a maioria das pessoas não tem tempo para cozinhar, será que buscarão a receita depois do programa?
E o que dizer das cebolas fatiadas em velocidade máxima? Quem disse que precisa ser daquele jeito para ficar perfeito? Aquele feito e destreza desanimam qualquer iniciante na cozinha. Por essas e outras, resolvi analisar onde essas receitinhas de programa parecem não me agradar o paladar.
Primeiro, que a gastronomia produzida em um restaurante precisa realmente ser a “toque de caixa”, mas em nossos lares são outros quinhentos! Pé no freio, caso contrário, essa curva fechada vai te jogar na brita e nos pneus!
"Ofélia coloca o safety car na pista!".
Verdade tem que ser dita, nem a Ofélia escapava das correrias.  No final do seu programa tinha sempre uma receitinha obrigatória na panela de pressão, por causa do patrocinador. Mas fora esse protocolo, eu não me recordo de vê-la se enlouquecendo fatiando cebolas!
Depois do Gordon The Flash,ufah!  Tomei um fôlego no intervalo de propagandas. E lá veio a linda Nigella, que até diminuiu um pouquinho o ritmo da pista de velocidade. Mas a danadinha sempre  aparece assaltando a geladeira como se fosse bonito?
Eu já estava quase me sentindo mais calma, quando surge um piloto da Fórmula Indy. Jamye Oliver é maluco! Seria a versão Niki Lauda do fogão! Ele realmente desafia as leis de qualquer fermento biológico!  Primeiro ele fazia em 30 minutos um bando de comida, no maior deboche. Agora ele resolveu cozinhar a mesma quantidade de pratos em 15 minutos!
Meus caros, quem gosta de cozinhar, não quer fazer isso em 30 minutos, quem dirá em 15 minutos! E quem tem apenas 15 ou 30 minutos para cozinhar vai comer na rua.
Isso é a espetaculização da gastronomia. Ninguém quer ensinar nada, querem é se exibir!
Tem graça alguém lhe negar uma receita? Ah! Eu me ofendo!
Para resolver tanta receita de fórmula 1, baixei o aplicativo de todas as receitas do canal, assim não fico naquela gastura de querer memorizar tudo!
Jamie Oliver para mim é sinônimo de ejaculação precoce, quando você está começando a gostar, pronto, acabou!
Olivier Anquier é lindo, mas para mim ele é um padeiro mochileiro. Se eu quero pegar uma receita, certamente não será no programa dele, são tantas excentricidades! Eu desafio alguém a achar todos os ingredientes da comida que ele fez na África, China, Paquistão... Bom, mas se eu quiser viajar, eu pego uma carona no programa!
Mas quem seria o meu queridinho da hora? Por incrível que pareça quem tem me surpreendido na cozinha é o Rodrigo Hilbert. A primeira vez que eu assisti ao progama dele, subestimei o rapaz. Pensei que era um daqueles programas de culinária masculina, tipo comidão bastantão!
Há muito tempo eu não me deparava com alguém que respeitasse os limites de velocidade na cozinha! O Hilbert é um cozinheiro que dá ao seu programa o tempo e a consistência certa! As receitas vão parecer simples. Porém, de mansinho, ele vai mostrando conhecimento e, sobretudo, paixão pela gastronomia!
Adoro cozinheiro que deseja ensinar. E quando não me importo de aprender o que eu já sei? Ah! Aí Eu fico zenfeliz! Feito criança assistindo à Ofélia!