sábado, 14 de setembro de 2019

A DEUS PERTENCE...

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Uma das histórias mais impressionantes que eu escutei por ai. Foi de um rapaz que se acidentou de moto e relatou-me, que além dele ter sido a vítima, uma outra pessoa tinha morrido.
O relato me impressionou.
Um senhor colidiu em sua moto, e logo a ambulância chegou para socorrê-lo, constataram que ele tinha apenas algumas escoriações leves. Eis que o senhor de idade avançada e muito nervoso com o acidente, começou  a passar mal no local. Ambos foram colocados na ambulância, mas apesar da proximidade do trajeto até o Hospital da cidade, o idoso acaba falecendo.
Até então uma trágica história, não fosse os desmembramentos após aquela morte invertida ou inusitada. O rapaz então disse-me que a vítima não tinha um familiar vivo e responsável por ele.
Como assim? Ninguém? E ele respondeu:  ninguém.
E o que você fez? Enterrei ele e providencie tudo que estava ao meu alcance.
Não fiquei sabendo dos pormenores, mas esta para mim é aquela história que sempre conto para aquelas pessoas querem prever seus futuros.
Uma amiga de longa data, e que deve ter mil vidas, e ter feito muitos procedimentos cirúrgiccos e de risco, sempre profere a seguinte frase: "O futuro a Deus pertence". É! Me parece que sim.
Aliás eu passei a vida inteira escutando uma pessoa da minha família dizendo que quando ela morresse e isso e aquilo. E eu sempre imaginava que aquele funeral iria acontecer logo.  Mas a verdade é que a pessoa viveu muito para enterrar um bando de gente antes dela.
A vida não se precipita, tão pouco se atrasa.
Não a tomamos pelas rédeas e a conduzimos como queremos.
Após ouvir aquela história incrível do motociclista, fiquei imaginando quantas vezes aquele senhorzinho solitário, teria sofrido por não ter viva alma para um dia enterrá-lo dignamente.
Mas a vida se encaminhou de tudo, e através das mãos daquele rapaz de olhar tranquilo e ares de missão cumprida.
Sobre este tema, dia desses eu conversava com uma amiga, sobre o direito ou não à eutanásia, e sobre a tal da "eutanasia branca". A primeira vez que eu escutei esse termo, foi de um familiar que teve de decidir após meses de internação de seu pai, se mantinha ou não, uma determinada medicação.
Seria uma espécie de  sugestão dos médicos, e hoje sei que até alguns admitem abertamente essa prática. Pelo que eu entendi, seria como deixarmos o corpo se encarregar do fim.  No caso, os familiares não tiveram coragem de reduzir a tal medicação, por que segundo eles, morreriam de culpa se o fizessem.
Concluí que, de nada adianta alguém nos dizer "se eu ficar assim ou assado, desliguem tudo". Primeiro que é crime, e segundo que a chapa esquenta para quem fica.
Em tempos de um super controle,  tecnologias, horários, ritmo exaustivo de trabalho e mil cobranças, me parece que o imponderável ainda nos assola.
Nunca saberemos tudo, e mesmo que a medicina nos prolongue a vida, que a cigana lhe diga, que o mapa astral preveja, ou que a linha da sua mão seja longa.
É melhor que deixemos a vida ou Deus se encarregar de alguns futuros. E o presente?
Este sim! Nos pertence!

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Quando eles forem maioria...


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O Mundo vai mudar, quando os homens forem maioria...
Nos postos de saúde
Nas reuniões onde a pauta é o homem
Nas filas de visitas às mulheres presas
Nos cursos de Humanas
Nas Universidades
Nas saídas das Escolas esperando seus filhos
Na hora da refeição dos seus filhos
Nas aulas de dança
Nas reuniões de pais nas escolas
Nas sessões de Psicoterapia
Nas aulas de Artes
Nas salas de aula como educadores
Nas escolas infantis como educadores
Nas enfermarias
Na função de pai amoroso
No cuidado com seus pais idosos
Na defesa da paz
Na defesa dos seus direitos
Na proteção das mulheres
Na proteção das crianças
No cuidado das suas esposas enfermas
Nas aulas de yoga
Nas sessões de meditação
Na defesa da VIDA!!







Não Solta a minha mão

Deus...

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Meu Deus....
Não solte a minha mão
Me dê esse tempo que necessito para chorar o meu luto.
Saiba que não chorei o suficiente a morte de ontem. 
O museu em chamas, levou a nossa história...
Marielle... recém se foi...
O mestre da capoeira também...
Recém chorei pela eleição perdida...
Chorei diante da desesperança.
Meu Deus não solta a mão do meu Brasil
Nos perdoe pela inconsciência.
Deus, por favor nos dê fé, quando mais uma
mulher é assassinada por um homem.
Ou quando uma ativista se suicida, mesmo depois de ter lutado por tantas.
Ou quando alguém abandona o meu país
para poder sobreviver, e nos deixa aqui, assistindo aos absurdos cotidianos.
Deus te peço...
Não nos retire a indignação para lutar.
Mas nos dê esse tempo para chorar.
Não quero sentir a culpa de não ter homenageado o suficiente, aqueles que
se foram pela ganância e egoísmo de alguns.
Deus me faça crer no amor entre as pessoas.
Mal sequei minhas lágrimas pela lama...por 100, 200 ou 300 que foram enterrados
em Brumadinho...
E lá se foram mais 10 guris...
Enquanto dormiam...
Enquanto nós dormimos sem perceber mais um erro do Deshumano.
Barragens soterraram almas e sonhos.
Labaredas levaram filhos e seus pais na dor.
As viúvas se multiplicaram...
Deus me dê mais lágrimas, sem que eu me
sinta exagerada por sentir tudo isso agora.
Sem me sentir insensível pela morte de ontem
Deus não permita que essa vida nos roube até o tempo do luto
Deus me dê esse tempo para chorar...
Mas me dê também a força para lembrar.
Das injustiças e das mortes que ainda não foram explicadas.
Que a minha memória seja preservada.
Para não esquecer dos poderosos injustos!
Que se esqueceram que são de carne e osso.
E que esquecem de todos. Todos os dias...
Esquecem da gente simples que só quer ter paz.
Deus me preserva como sempre fui...
Sem perder a fé mesmo que só.
Sem perder a serenidade mesmo que a vida exija o grito, o choro, a voz.
Deus não solte a minha mão!
Una todos perto de mim!
Todos que ainda preservam a Fé!
Não em religiões.
Não em falsos religiosos.
Deus conserva em mim
A Fé na capacidade de amar!
Apesar da dor...
Apesar de muitos que antes seguravam a nossa mão.
Mas que hoje nos deixam ...e justo agora!
Como se tivéssemos que "tocar esse barco" sozinhos...
Deus, por favor me dê um barco maior!
Preciso recolher tudo que há de bom a minha volta
Tudo que há de amor.
Para poder prosseguir...
Mas sem esquecer nossos mortos.
Sem compreender a lição da vida.
Sem perceber que hoje é mais um dia luta!
Por todos que se foram!
E por todos que aqui estão!
[12/2 12:04] Cláudia Coelho

segunda-feira, 14 de maio de 2018

...sem olhar a quem

Estacioneio carro, e escutei alguém batendo no vidro lateral.
Era um senhor de uns 60 anos. Ele me mostrou a carteirinha do INSS e um pequeno papel onde pedia alguma ajuda. Ele era surdo.
Atucanadíssima de pressa,  mantive os vidros fechados e pensei em como poderia resolver aquela situação. Acenei com a mão, e pedi um minuto para ele.
O cd do médium Chico Xavier ainda estava tocando e me tocando de mensagens espíritas lindas e inspiradoras. Decidi escutar o cd antes de presentear meu tio Argeu com aquele áudiobook.
Depois de me organizar um pouco dentro do carro, me lembrei do quanto sempre refutei a ideia de dar esmolas a alguém.
Então peguei dez reais, que no meu entendimento não seria  tão esmola, e alcancei-lhe.
Ele agradeceu sorrindo e um pouco surpreso.
Continuei dentro do carro, e retomei a minha função ali dentro, pegando minha pasta etc,
Foi então que eu escutei novamente as batidas no vidro.
O senhorzinho gesticulava me pedindo caneta e papel pois queria me escrever algo.
Repensei a minha pressa...deixei-a de lado.
Resolvi colocar toda a minha atenção naquele momento, e saí do carro enquanto ele escrevia com dificuldade, apoiando o papel no capô do carro.
Ele me entregou o papel que dizia:
"Muito obrigado, você me ajudou, sou aposentado, recebo dia 31. Estou com pouco leite e arroz em casa. Waldir"
Meu Deus...não sei se foram as palavras do Chico Xavier em sua imensa bondade, que me deixaram daquele jeito, mas me deu um aperto no peito de comoção.
Senti que os dez reais não valiam aquele bilhete, eu queria retribuir a retribuição.
Pedi que esperasse, peguei um de meus livros e lhe fiz uma dedicatória.
Sinalizei que o livro era meu, e de certa forma me apresentei, assim como ele o fez.
Surpreendido novamente, apertamos as mãos e nos despedimos.
Ufah...que momento foi aquele, pensei.
Mas para a minha surpresa, ele novamente me pede á atenção.
Se postou na minha frente, retirou o papel que usava para pedir ajuda e rasgou. Com os braços e olhos, e sem qualquer palavra, foi como ele me dissesse: diante disso...não preciso mais de ajuda.
QUE LIÇÃO para mim!

Coletivos Blindados


Resultado de imagem para quem matou marielle francoHá dois meses mataram a vereadora do PSOL Marielle Franco. No sétimo dia de sua morte, eu e minha irmã fomos até a Candelária nos solidarizar. A melancolia ainda estava nos olhos de todos nós.
Era como se eu tivesse sido atingida junto, no peito, na alma, na minha esperança! Imediatamente pensei em todas as lideranças femininas, grupo a qual me identifico em certa medida, desde que assumi a revitalização da Escadaria Ladrilhar.

Me senti apequenada diante de um mundo que por vezes esqueço que ainda pertenço. Um mundo onde a força dos machos ainda domina as Ruas e os Poderes. Mundo dos mesmos homens que abandonam lares e mulheres, e que abusam de filhos e que matam suas companheiras. Um mundo de homens que não admitem o fracasso. Homens que abrem mão de serem bem sucedidos como pais, filhos cuidadores e homens amorosos.
Quando Marielle morreu, foi como se um homem da época das nossas mães e avós dissesse: fecha a janela, vai para a cozinha, cuida dos teus filhos, e não conversa com os vizinhos! O mundo parece o mesmo... Chega dessa brincadeira de democracia moça! De falar o que pensa! Chega de defender bandido, ou mocinho! Chega de pensar no coletivo!

Nos importa muito saber quem matou Marielle.

Mas também me interessa entender o que representa hoje ser uma liderança numa sociedade egocentrada. Eu não conhecia a Marielle,  até saber da sua morte.
Para mim ela simplesmente não existia...
Bem sabemos quais as razões de uma mulher com o potencial dela não aparecer na mídia.
Será  que um, dois, ou nove tiros pensados por alguém, teria a intenção de matar uma causa, ou apenas uma pessoa?
Se para cada eleitor de Marielle, fossem disparados 9 tiros, seriam necessários 418.518 mil balas. Quantos criminosos seriam necessários para este feito? Creio que seria impossível.
A verdade é que cada eleitor de Marielle  foi multiplicado por milhares de sujeitos que foram atacados no peito e na alma como eu fui. 
Mas continuo pensando na intenção de alguém ou de meia dúzia, que acreditam que resolvem um assunto matando uma pessoa. Se foi milícia, ou se foi um desafeto, creio que Marielle não era uma, ela sempre foi uma coletividade, qualidade de poucas pessoas hoje em dia.
Há três anos tenho conhecido muitas Marielles, de todos os gêneros. A maioria na contramão de tudo e de todos. São lideranças que sofrem com a sobrecarga do individualismo. Hoje certamente, é mais difícil ser uma liderança, o custo é muito alto. 
O que eu quero dizer com tudo isso?  Que mais do que nunca precisamos atuar coletivamente.
Precisamos de muitos a dar essa  "cara a tapa", para que no futuro não se tenha apenas um único alvo
Os nove tiros que mataram Marielle e Anderson, saíram pela culatra, pois as causas de Marielle se fortaleceram, e expuseram a podridão que já se sabe, mas não se publica em rede nacional.
Porém, uma voz foi calada, a voz de uma minoria no parlamento. 
Parece que muitas das nossas lideranças ativas e verdadeiras, continuam fazendo o trabalho pesado, o trabalho de formiguinha, mal remunerado ou de graça. São lideranças que estudam, que educam, que se politizam, se esforçam, insistem e sonham com uma sociedade melhor, mas vivem às margens, nas senzalas...
Uma andorinha não faz verão... Marielle me parece que atuava em muitas estações, e representava 46 mil pessoas...mas pq os tiros atingiram somente a existência dela?
Não gostaria de ter que acreditar, que será  sempre através do custo de mortes e prisões de grandes lideranças, que nos fortaleceremos politicamente.
Não seria o momento de repensarmos nosso protagonismo de fato?
Sejamos um coletivo blindado, diante da ignorância armada.


domingo, 15 de abril de 2018

Catão & Cláudia Coelho


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e textoNenhum texto alternativo automático disponível.Setenta e Sete Anos separam nossas obras. Catão Coelho era meu Tataravô, ele se tornou escritor aos 85 anos, publicou "A Várzea de Outrora" em 1935.
Até nome de rua ele tem em Porto Alegre. Mas eu só entendi o porquê, quando recebi o exemplar do seu livro, recentemente pelas mãos da tia Gilca.
Meu Tata escreveu sobre Porto Alegre! Certamente encantado pela cidade. Incrível! Ele era um ativista, envolvido com Arte e obras comunitárias em Santa Maria. Cronista como eu, que também escrevi minhas histórias, (2012) tendo a cidade de Porto Alegre, como pano de fundo. Tudo isso que te contei me impressiona.

Nenhum texto alternativo automático disponível.Nenhum texto alternativo automático disponível.

domingo, 25 de março de 2018

Amor de guria

Quando eu era guria...
Eu acreditava no amor à primeira vista.
Quando me tornei adulta, achei  que era mais seguro acreditar no amor à segunda vista.
Mais adiante, quase sem enxergar o amor... esqueci este assunto.
Agora a lembrança do amor revisitou meus pensamentos.
Percebi que nunca deixei de ser  aquela guria.
Sendo assim, continuaria sigo acreditando no amor à primeira vista.